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Olhando o texto de Mt 18.1-20, hoje percebemos que Jesus diferente de nós não esta preocupado com os números. Olhando alguns pastores e membros de nossa igreja, percebemos que eles estão mais preocupados na quantidade. Ou alguns nem isso, vivem suas vidas isolados, pensando só em si mesmo.
Jesus diz na leitura do Evangelho de hoje: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles.”
Dois ou três, mas não só um
É claro que não quero dizer que eu ficaria feliz se apenas dois ou três de vocês aparecessem no culto. Mas isso seria suficiente para ter o culto, pois é o encontro em si que importa não a quantidade. Estamos muitas vezes pensando que quanto maior, melhor ou automaticamente que a fidelidade a Cristo pode ser medida pela contagem das pessoas nos bancos da igreja. Por outro lado, estamos muitas vezes pensando que podemos adorar a Deus e desfrutar a na nossa vida em adoração como um único individuo. A palavra de Deus é sabia e diz que. “Onde dois ou três estiverem reunidos, “diz Jesus,” ali estou eu no meio deles. “
Mas por que não apenas um? A questão é importante porque há uma tendência entre os cristãos de hoje – e ao público em geral – para enfatizar a importância absoluta do indivíduo, do eu. A algumas pessoas que realmente acham que não precisam ir à igreja para adorar e ser preenchido com a presença de Deus. Dizem que fazem isso, por exemplo, subindo no topo de uma montanha com uma bela vista ou no silêncio de suas casas. De fato, talvez seja melhor nestes lugares, sem todas as distrações que você encontra na igreja: o choro dos bebê na maioria das vezes não me agradam.
Como eu devo entrar em contato com Deus? Onde devo buscar sua presença?
Jesus não prega o isolamento, pelo contrario ele quer que vivamos em comunidade, pois ele diz: estou onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome. É aí que você vai me encontrar.
Deus está no meio
Deus sempre esteve presente no meio de seu povo. Desde Adão e Eva no jardim, aos filhos de Israel vagando pelo deserto, já havia a promessa da vinda de Cristo, sua promessa sempre foi, “Eu estou com vocês, em seu meio.”
Nosso Deus nunca existiu isolado. Por que, mesmo antes da criação de todas as coisas, Deus não estava sozinho. Para a nossa fé Deus sempre é três pessoas – Pai, Filho e Espírito Santo. Nunca está sozinho. Quando Deus resolveu fazer o universo e preenchê-lo com as pessoas ele não estava sozinho. Quando o ser humano caiu em pecado ele fez algo mais incrível, em vez de nos deixar e se isolar ele decide se tornar um de nós, para dessa forma cumprir o que não podemos cumprir. Ele veio para os seus e habitou no meio deles.
Belém estava lotado quando Cristo nasceu. É por isso que ele nasceu em um estábulo, que logo foi lotado com pastores que adoraram.
Jerusalém estava lotada, quando Cristo, o Filho de Deus veio para o meio dos seus. Logo eles estavam gritando: “Crucifica-o! Crucifica-o!” Mal sabiam eles que estavam crucificando o seu Deus. Expulsaram-no. Mas Cristo ainda estava determinado a estar entre o seu povo.
Depois da sua ressurreição, Cristo continuou aparecendo no meio dos seus discípulos. Porque a promessa era verdade, então – e ainda é verdade agora: “onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.” Este é o lugar onde vamos encontrá-lo, não no isolamento, mas onde quer que seu povo se reunir.
O Desafio
Ele também esta nos apresentando um desafio, porque sempre que as pessoas se reúnem , vai aparecer problemas. Somos pecadores, nosso encontro muitas vezes reflete este estado no nosso relacionamento. Assim ágüem vai se ofender, tanto fulano como sicrano. Uma pessoa vai fazer algo que incomoda a pessoa B, a pessoa C é apenas um idiota, e todo mundo sabe disso. E, no entanto estas são as pessoas de que Cristo promete esta no meio delas!
Nós não estamos aqui apenas para encontrar uma maneira de se dar bem nesta vida. Estamos aqui reunidos nesta cidade para termos a presença de nosso senhor na nossa vida. E ainda mais, fomos chamados pelo Espírito Santo para acolhermos uns aos outros de forma a nos aceitarmos mesmo quando as dificuldades aparecem. Sim, onde dois ou três estiverem reunidos ali estarei diz Jesus. Aqui estamos reunidos para que o amor de Deus seja derramado sobre cada um de nós através de sua palavra. Pois a palavra é o meio que Deus usa para nos congregar numa única família. Muitas vezes não admitimos isso, e nos afastamos. Mas Cristo insiste no contrário. Como diz Paulo: “não devemos coisa alguma, exceto amar uns aos outros.” Por quê? Por causa da comunhão.
O congregar é tão importante, pois é onde encontramos a Cristo. E porque o congregar é tão importante? Por que aqui Cristo nos dá algumas instruções muito práticas sobre como lidar com as nossas dificuldades de relacionamento e evita que nos isolamos como se fossemos uma ilha na sociedade e no lar.
Certa vez, um jovem membro de uma tribo indígena apresentou-se ao cacique, informando-lhe sua decisão de eliminar um inimigo que o havia ofendido gravemente. Decidira matá-lo sem piedade. O cacique escutou-o atentamente e propôs:
– Faça o que você tem em mente. Porém, antes de ir, vá até a árvore sagrada do nosso povo, encha o seu cachimbo de tabaco e fume-o com calma.
Então o homem tomou seu cachimbo, encheu-o de tabaco e sentou-se sob a copa da grande árvore. Passada uma hora, sacudiu as cinzas do cachimbo e decidiu falar novamente com o cacique:
– Pensei melhor e acho que seria demais matar o meu inimigo. Resolvi que darei uma surra nele para que ele jamais se esqueça do que fez contra mim. Novamente o cacique o escutou e aprovou a sua decisão. Mas ordenou:
– Já que você mudou de idéia, encha outra vez o seu cachimbo e vá fumar no mesmo lugar.
Também dessa vez o homem cumpriu a ordem do cacique e gastou meia hora fumando e meditando. Depois foi até o cacique e disse:
– Considero demais surrar meu inimigo. Decidi que jogarei na cara dele toda a sua má ação. Ele há de envergonhar-se diante de todas as pessoas.
Como das outras vezes, o homem foi escutado com bondade. Entretanto, o cacique voltou a ordenar-lhe que repetisse a sua meditação, como havia feito anteriormente. O homem, ainda chateado, porém muito mais sereno, dirigiu-se à árvore centenária e, ali sentado, foi transformando em fumaça o seu tabaco e a sua bronca. Quando terminou, voltou ao chefe e disse:
– Pensei melhor e vi que a coisa não é para tanto. Irei até meu agressor para dar-lhe um abraço. Dessa forma, recuperarei um amigo, que seguramente se arrependerá do que fez.
O cacique tomou duas porções de tabaco, e juntos foram fumar ao pé da árvore sagrada. E disse:
– Isso era precisamente o que eu queria lhe pedir, mas não podia dizer. Era necessário dar-lhe tempo para que você mesmo o descobrisse.
Prezados irmãos! Por isso o desafio de dois ou três, pois Lidar com o erro tendo o perdão como alvo! Esta é a proposta de Jesus. Para tanto certamente há outros meios do que fumar cachimbo. Mas sempre é preciso tomar tempo e refletir. Este é um caminho maravilhoso a ser seguido, e sempre trará resultados positivos. Desta forma rompe-se o círculo vicioso e encontra-se o círculo da tolerância, da doçura, do perdão e do amor.
Em nome de Jesus. Amém.




