TRINDADE

NA CRIAÇÃO DO MUNDO



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 Desde a criação do mundo as três pessoas da Trindade estão presentes e se manifestam, ou ainda, também participam da criação, pois cremos e confessamos que o Filho de Deus e o Espírito Santo foram criados pelo Pai antes mesmo da criação do mundo e do homem. Eles existem desde a eternidade, o que nossa mente nem sempre é capaz de compreender e que a penas se manifestaram mais claramente no seu devido tempo.

Já na primeira página da Bíblia encontramos a presença da Trindade. No primeiro versículo do livro de Gênesis aparece que “Deus criou os céus e a terra”, a palavra “Deus” no original está no plural, o que significa “deuses ou ídolos”, mas o verbo esta no singular, indicando que há a penas um Deus, mas cremos e confessamos três pessoas[1]. O mesmo acontece em Gn 1.26, onde está escrito: “e disse Deus: façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança”, da mesma forma em Gn 3.22, onde aparece: “eis que o homem se tornou como um de nós”, referindo-se ao conhecimento do bem e do mal[2], e também em Gn 11.7, no episódio da Torre de Babel, onde Deus diz: “vinde, desçamos e confundamos ali sua linguagem[3], para dar fim à ambição do homem. Nestas passagens está presente uma espécie de diálogo onde diz “façamos” e na segunda passagem, “desçamos e confundamos”, há um diálogo, não entre Deus e os anjos, pois os anjos não participam da criação, mas um diálogo entre a Trindade Santa, ou seja, Pai, Filho e Espírito Santo.

2.1 O Espírito Santo

Na criação podemos reconhecer ainda a ação do Espírito Santo, como por exemplo, em Gn 1.2, onde percebemos a obra do Espírito Santo como doador da vida e vivificador de toda a criação, mais precisamente quando diz que o Espírito de Deus “pairava sobre a terra”, algumas traduções trazem “se movia sobre a terra”, o que nos dá o sentido de incubar ou dar vida, pois o caos dominava e é pelo Espírito Santo que surgiu vida na face da terra[4]. Ainda neste versículo, na frase “Espírito de Deus”, nos dá uma idéia de dependência, mas no hebraico é a forma do “construto” e no grego o “genitivo”, o que não é necessariamente dependência, mas se trata da terceira pessoa da Trindade, o Espírito Santo, com mesma essência do Pai, com os mesmos tributos e com a finalidade de dar vida à face da terra[5].



[1]Revista Igreja Luterana. Ano XIV, Porto Alegre – RS, Outubro – Dezembro de 1953, pp 199.
[2] PIEPER, Francis. Christian Dogmatics, vol 1. Concordia Publishing House: Saint Louis, Missouri,1950, pp 395.
[3]Revista Igreja Luterana. Ano XIV, Porto Alegre – RS, Outubro – Dezembro de 1953, pp 199.
[4]MESQUITA, Antônio Neves de. A Doutrina da Trindade no Velho Testamento. Editora Dois Irmãos Ltda: Rio de Janeiro, 1956, pp 96.
[5]Idem, pp 103.