Tanatos – O que significa para o cristão

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O que pode esperar um cristão da morte? Pode ele se alegrar desse momento tão difícil?
O cristão desenvolve outra perspectiva da morte em virtude de sua fé. A vida eterna prometida por Deus pinta a morte não apenas de preto e branco. Não é ali que acaba tudo. A promessa feita por Cristo, de que todo aquele que nele crer, mesmo que morra viverá, faz com que a morte perca o efeito tão arrasador, porque ali nela não está o fim de tudo, mas sim uma passagem, como costumamos dizer. “Verdade é, que cristãos não precisam lamentar como aqueles que não têm esperança” [1] Joseph Bayly, pai que perdeu três filhos, a partir das experiências que viveu, tenta mostrar a pessoas que estavam numa casa de recuperação que a morte não é apenas um sofrimento, um fim. Um dos pacientes lhe disse que tinha medo da morte, em resposta ele faz a seguinte ilustração:
 Se pudesse prometer-lhes que os levaria desta casa para um lugar maravilhoso onde vocês estariam sempre livres de suas dores e sofrimentos, onde poderiam andar e até correr, e jamais sentir solidão ou tristeza; mas se tivesse de fazê-los atravessar primeiro um túnel escuro a fim de chegar até ali: Quantos de vocês quereriam ir?[2]
Sermos cristãos não muda o aspecto de morte para nós. O que muda é o que esperamos dela, “a maneira que enfrentamos esse período é particular e pessoal”.[3] Precisamos de tempo para recolocarmos nossas vidas numa rotina, adaptada, porém sem o ente querido. E dependendo da forma que isso for feito, pode demorar mais ou menos tempo, o sofrimento pode ser mais difícil ou mais ameno. “O luto normal geralmente envolve uma profunda tristeza, sofrimento, solidão, raiva, depressão, sintomas físicos e alterações nos relacionamentos interpessoais”.[4] Isso varia de pessoa para pessoa e é superado de acordo com a personalidade da pessoa que enfrenta o problema, como ele é tratado.
Na maioria das vezes quem sofre uma perda recupera-se e volta a ter uma vida normal. Em outros casos é anormal, quando a pessoa fica ligada ao falecido, ela acaba se impedindo de continuar a vida.  Essa é a vantagem que o cristão possui frente ao fato da morte, ele tem sua esperança em Cristo, nEle busca força para recuperar-se e segue sua vida. Lutero entende a morte como uma despedida deste mundo e dos afazeres que tínhamos nele. E que devemos nos despedir espiritualmente:
Unicamente por causa de Deus, devemos perdoar amavelmente a todas as pessoas, por mais que nos tenham ofendido. Por outro lado, unicamente por causa de Deus, devemos também desejar o perdão de todas as pessoas, muitas das quais sem dúvida ofendemos […], devemos fazer isso para que a alma não fique apegada a algum a fazer na terra.[5]
Para Lutero todo sofrimento tem um propósito, sendo o principal a nossa própria salvação, e por isso, diz que o sofrimento do cristão é um sofrimento mais nobre, porque tem algo por traz deste sofrimento:
O sofrimento dos cristãos é mais nobre e de valor que o de todas as outras pessoas, porque, Cristo, tendo-os colocado nesse sofrimento, também santificou o sofrimento de todos cristãos. […] Através do sofrimento de Cristo também o sofrimento de todos os seus santos se tornou puro santuário, pois está ungido com o sofrimento de Cristo. Por isso não devemos aceitar todo o sofrimento senão como santuário, pois também é de fato coisa sagrada.[6]
Isso não quer dizer que devemos buscar o sofrimento, nem a partir dele querer viver uma vida piedosa, mas ao contrário, Lutero diz: […]
Mas quando o sofrimento nos atinge, é preciso compreendê-lo e aceitá-lo como instrumento precioso e sagrado de Deus para nos manter na fé, nos guardar para a salvação e para a proclamação do se amor e misericórdia.[7]
O cristão, do ponto de vista de Lutero, tem mais a se preocupar com o que acontece depois da morte, do que com o próprio morrer. Essa despedida nos encaminha no caminho a Deus. Lutero demonstra essa preocupação com o exemplo de uma criança que nasce, “[…] da pequena moradia do ventre da mãe para dentro deste vasto céu e desta vasta terra, isto é, vem a este mundo. Da mesma forma sai o ser humano deste mundo pela porta estreita da morte”.[8] Por isso a preocupação de Lutero com o que acontece depois da morte, e não com o fato da morte apenas. Ele quer nos mostrar a importância do coração do cristão estar consolado com o Evangelho de que estaremos com Cristo no céu por meio da obra de Cristo.
Autor: Mauro


[1]  REGAUER, Elmar. A dor do enlutado – Compreenda-o, Santa Maria: 1ªedição Congregação Evangélica Luterana Cristo, 1986, p. 16).
[2] BAYLY, Joseph. Enfrentando a Morte, São Paulo: Mundo Cristão, 1981, p. 84
[3] COLLINS; Gary R. Aconselhamento Cristão: Edição do Século 21. São Paulo: Vida Nova, 2004, p. 407.
[4] Ibid. p.409.
[5] LUTERO, Martinho. Um sermão sobre a preparação para a morte. In Obras Selecionadas, v. 1, Porto Alegre/São Leopoldo: Editoras Concórdia/Sinodal, 1987, p. 386.
[6]                 . Um sermão sobre sofrimento e cruz. In: Pelo Evangelho de Cristo. Sinodal/Concórdia, 1984, p 307.
[7] HEIMANN, Thomas, TOMM, João C. O pastor e a visitação aos enfermos e enlutados. In: Lutero, o pastor. Org: Leopoldo Heimann, Canoas: Ed. ULBRA, 2006, p 245.
[8]LUTERO, Martinho. Um sermão sobre a preparação para a morte. In Obras Selecionadas, v. 1, Porto Alegre/São Leopoldo: Editoras Concórdia/Sinodal, 1987, p. 387.