Tanatos – A dor

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Quando nos deparamos diante de algo que não conhecemos, nossa primeira reação é ter receio. Andar no escuro, por exemplo, traz medo a muitas pessoas. Isso porque nós não sabemos lidar com o desconhecido. É por isso que a morte nos confronta e nos faz ficar com medo. Não sabemos o que ela nos reserva, não conhecemos nada de concreto daquilo que a sucederá. Isso nos faz chegar ao ponto de negá-la.
Outro aspecto da morte que acrescenta a ela boa parcela do medo que sentimos é a dor que acompanha o seu evento. Dor, choro, gritos por vezes cercam a pessoa que se encontra nos últimos suspiros. Isso a faz parecer ainda mais cruel e horrorosa. A morte e seu pavor estarão presentes em cada ser humano, sempre.
A dor pode estender-se por um longo período de tempo, ou pode ser rápida e terrível. Mas faz parte da morte […] passamos a vida toda cuidando de nosso corpo; é bem pouco agradável então pensar numa época em que ele voltará ao pó.[1]
Temos também a expectativa de qual será o paradeiro do nosso corpo. Agora ele se tornará em nada, e temos que simplesmente aceitar isso. Apesar disso acontecer com toda e qualquer pessoa, isso jamais deixará de nos trazer medo, porque isso não faz naturalmente parte de nossa vida, Deus não nos concedeu compreensão para tal, portanto não desvendaremos esse evento. Recebemos esse mistério (morte) como salário para o pecado (Rm 6.23), e não nos livraremos desse salário senão por Cristo, como nosso salvador.
É absurdo negar a dor da morte, por isso precisamos enfrentá-la. Entra aqui o importante papel do conselheiro cristão, que ajuda a pessoa nesse tem o papel de ajudador nesse processo de morte. O conselheiro tem a função de encorajar a pessoa, mostrando-a o melhor caminho a ser seguido. “É aqui que o ajudador pode encorajar o auxiliado a adquirir habilidades, se forem necessárias, e ficar firme ao lado dele à medida que empreende a ação”.[2]
Veremos brevemente alguns conceitos de morte de algumas religiões que possuem um conceito de morte diferente do conceito cristão de morte. O que é a morte para o espírita?
 “A morte ao Espírita é um instante em meio a um caminho infinito […] a morte é uma transição e não um ponto final. Há que se considerar também que o espírito está permanentemente em processo de crescimento e renovação e a morte é a forma de forçar esta renovação, mudando ambientes e projetos de vida”.[3]
O espiritismo tem um conceito muito diferente do conceito cristão de morte. O espiritismo tem um contato com os que já partiram, embora que este contato nem sempre seja possível. Já para o judaísmo, a morte é um fim. A vida no judaísmo é considerada um corredor, onde as ações nesta vida decidem o destino do homem no mundo por vir. É uma vida resumida a obras. Cada um recebe aquilo que merece. O Islamismo também tem essa visão, a vida pós morte será correspondente a punições e recompensas, tudo de acordo com a conduta que tínhamos. Já o Islã vê a morte como uma passagem natural para o próximo estágio de existência. A doutrina islâmica mantém que a existência humana continua após a morte do corpo humano na forma de ressurreição física e espiritual.[4]
Nós Luteranos, cremos na morte e ressurreição, ressurreição não por nossas obras, mas pela fé em Cristo. A vida não cessa na morte física, apenas nosso corpo físico morre. Esperamos a vinda de Cristo, para que julgue os vivos e os mortos, assim como ele nos prometeu. “Porque, se formos unidos com ele na semelhança da morte, certamente, o seremos também na semelhança da sua ressurreição” (Rm 6.5).
Autor: Mauro


[1] BAYLY, Joseph. Enfrentando a Morte, São Paulo: Mundo Cristão, 1981, p. 11.
[2] COLLINS, Gary R. Ajudando uns aos Outros. São Paulo: Vida Nova, 1982, p. 80.