Suécia

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Um crescimento anual que chega a 6,4% no primeiro trimestre. Desemprego em queda. Um superávit orçamentário em 2011, e uma dívida pública que deve terminar abaixo dos 40% do PIB. Como os suecos conseguiram tudo isso?
Houve uma dose de sorte. Como a Alemanha, a Suécia é uma grande exportadora manufatureira. Em ambos os países, o PIB teve uma recuperação em 2010 depois de despencar no ano anterior. Ter se mantido fora da zona do euro ajudou, já que a coroa sueca caiu e conseguiu se reerguer. Mas a principal resposta está nas prudentes políticas pró-mercado da coalizão de centro-direita liderada por Fredrik Reinfeldt, que chegou ao poder em outubro de 2006, e foi reeleita no ano passado, dando aos Social Democratas sua pior derrota desde antes da Primeira Guerra Mundial.
Em um jantar em um restaurante de Estocolmo, um grupo impressionantemente multiétnico de conservadores suecos (a maioria deles, imigrantes ou filhos de imigrantes) afirmam que as mudanças forma menores do que se imagina. Os “valores suecos”, dizem eles, ainda dão mais ênfase à segurança do que à liberdade quando o assunto é economia.
De acordo com um estudo da consultora global McKinsey & Company, entre 1980 e 1992, a Suécia perdeu espaço para outros países ricos. No entanto, desde 2009, o país tem uma das economias de crescimento mais rápido da Europa Ocidental, impulsionadas pelo setor privado, onde os empregos estão se multiplicando “em ritmo recorde”, segundo a emissora de rádio estatal.
A virada da Suécia para a direita começou no início dos anos 1990, mas só foi institucionalizada com a chegada de Reinfeldt ao cargo de primeiro-ministro, um conservador cauteloso, e líder do Partido Moderado, uma alcunha que ele se esforça para reassegurar aos suecos.
O sucesso de Reinfeldt não passou despercebido fora do país. Ele é um grande amigo do primeiro-ministro britânico David Cameron, de idade próxima à sua, e também numa coalizão com os liberais. O governo de Cameron tem interesse nas reformas da Suécia na educação (as escolas públicas suecas inspiraram as academias britânicas) e na saúde. Ao contrário do Reino Unido, a Suécia está contente em deixar que escolas e hospitais privados lucrem com serviços financiados por contribuintes se o resultado desses serviços forem melhores que os públicos. E à medida em que tem sucesso, Reinfeldt vai alterando a cultura política do país.
A coroa sueca está se juntando ao franco suíço como a moeda favorita de especuladores que buscam lucrar com a expansão econômica alemã ao mesmo tempo em que se esquivam das crises de dívidas públicas que assolam a Europa, e pode atingir seu nível mais alto em dez anos na comparação com o euro, já que o rápido crescimento faz com que o Riksbank, o Banco Central da Suécia, continue a elevar as taxas de juros. A coroa se tornou uma maneira mais barata de tomar parte no crescimento alemão do que o abrigo tradicional dos especuladores, o franco suíço, que a moeda mais supervaloriza em comparação com o euro e o dólar, medida pelo custo relativo de bens e serviços.

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