O amor de Deus nos acolhe.


Is 56.1, 6-8
  
Acabamos de ler e de ouvir um texto especial no contexto de uma sociedade marcada por exclusão, preconceitos e por marginalização. Trata-se de uma bela mensagem que permite respirar o ar de liberdade e alegria. Anunciamos que Deus não elimina a lei. Somos chamados por Deus para derruba as cercas que dividem os muros; muros que nos afastam das pessoas, e prejudicam o convívio das pessoas.
O profeta Isaías assume o papel de porta-voz de Deus, empenhado em inclusão e comunhão. Ele coloca sementes de esperança visando a uma nova convivência. O homem de Deus, Isaías, traduziu esta mensagem para dentro de um povo, cuja situação econômica, espiritual e política beirava a miséria. Grande era a desconfiança das pessoas que não se consideravam dignas de pertencer ao povo eleito por Deus, Israel. E pessoas eram discriminadas por serem estrangeiras ou por serem pessoas mutiladas (castradas/eunucos). A lei judaica as afastava do templo e impedia de participarem da comunidade de culto e das festas religiosas. No  ensino confirmatório quando tratamos sobre o Sacramento da Ceia do Senhor,  focalizamos ele como uma festa da inclusão. Sabemos que o rosto das pessoas excluídas tem inúmeras marcas, inclusive aquelas que apontam às diferenças de caráter confessional, ou aquelas que praticam outras atitudes religiosas.
“Sigam a justiça e o que é direito, eu vou livrá-los, mostrando assim o meu poder salvador. Eu os levarei ao meu monte santo e vocês ficarão felizes na minha casa de oração”: palavras do profeta Isaías. A prática da exclusão, indiferente a quem discriminamos, acontece quando a nossa própria imagem está em jogo. E a mensagem do profeta sublinha que o ensino e a prática da lei não se sobrepõem à “justiça” e ao que “é direito”. Nada é mais importante do que a prática do amor e da misericórdia. Enquanto a lei gera concorrência e dispersa, o amor reúne e promove comunhão, traz esperança e anima ao compromisso. “Guarda o amor e o direito e espera sempre em teu Deus” (Oséias 12.7). Na vida em comunhão o dom do amor não são metas de chegada, mas são pontos de partida.
Aos olhos do Evangelho e no horizonte da fé em Jesus Cristo, a comunidade cristã, que se reúne em culto e celebra a comunhão é desafiada a viver nova comunhão. A mesa da Ceia do Senhor torna-se um espaço de reconciliação, de aprendizado ao perdão e à prática d e acolher e integrar. Jesus viveu e agiu como embaixador do Deus da paz e da reconciliação. Até a morte na cruz, ele serviu a Deus que não fecha, mas “abre as portas”.
A parábola do Pai bondoso apresenta o irmão mais velho que deixou de demonstrar qualquer entusiasmo, quando do retorno do irmão que havia jogado fora o dinheiro da sua herança com prostitutas e com outras coisas supérfluas. Além do pouco entusiasmo com o retorno do irmão à casa paterna e materna, o filho mais velho, um trabalhador incansável, moço direito, não se agradou com a atitude bondosa do pai. O pai bondoso recebeu o irmão “perdido e depravado” de braços abertos. A boa notícia transmitida pelo profeta Isaías permite a construção de uma ponte importante em direção às atitudes vividas por Jesus Cristo. O Filho de Deus, nascido em meio à sociedade que excluía e afastava pessoas diferentes, sempre em nome da boa moral. Jesus vem para devolver a dignidade aos marginalizados do seu tempo.
Jesus Cristo, é condenado e sacrificado na cruz, apontando para um novo relacionamento entre as pessoas. Fundamentou, tanto o seu ensino, como a prática, na justiça, na paz, e no espírito da unidade. Ele viveu, até o fim, o que Isaías anunciou muito tempo antes. As Boas Notícias de Jesus aconteceram no horizonte da justiça, cujo princípio parte do amor e da graça divina. Ele viveu o que é direito. Jesus integrou e reconciliou, declarando “felizes os pobres de espírito, os humildes, felizes os misericordiosos e os que promovem a paz”. Jesus inaugurou uma nova comunhão e permitiu que todas as pessoas pudessem andar de cabeça erguida. Ensinou que o amor de Deus devolve a dignidade, torna as pessoas próximas, e cria comunhão para com “os de perto e os de longe”. Ao mesmo tempo, Jesus denunciou a auto-justificação dos fariseus, que se julgavam melhores e mais qualificados; virou a mesa dos cambistas que fizeram da Casa de Oração, o templo, uma casa de comércio.
Na leitura do Evangelho, que ouvimos, Jesus tinha deixado Israel para viajar para o norte através da Galiléia para a terra de Tiro e Sidon, para ficar um tempo em descanso, longe das conivências e hostilidades dos escribas hipócritas e fariseus. Para onde Jesus foi? Ele foi para a terra daqueles que Israel considerava como cães, para a terra dos gentios. E o que Jesus encontrar lá? Cães? Pagãos e incrédulos? Não, lá ele encontra fé, e grande, em uma mulher cananéia! Que mensagem maravilhosa confessa essa mulher: Senhor, Filho de David! E não importa se o fiel é judeu ou gentio, homem ou mulher ou criança . A todos, será dado a salvação que Jesus se refere como “pão” – para se conectar, sem dúvida, a experiência com o que se tornaria o ato central do cristianismo, a Ceia do Senhor.
Para todos nós e para cada um de nós, o pão é dado, para que possamos ser integrados, perdoados e salvos para um único propósito, para que possamos ser instrumentos fiéis para a propagação do amor incondicional de Deus, essa é a boa notícia de que Ele nos dá.