Deus nos entende?

O advento do cristianismo teceu no coração, no intelecto das pessoas a ideia de Deus como um “Pai amoroso“. Isso foi novidade. Para o povo judeu Deus era santo, diferente, pertencente à outra esfera de vida. As grandes escolas filosóficas da época sustentavam que Deus era “apático“, incapacitado para sentir alegria ou tristeza. Elas classificavam a alegria e a tristeza como interferência (afetação) de fora. Elas defendiam a tese que se alguém de fora tivesse o poder de interferir na pessoa de Deus, então este alguém se mostrava superior Àquele que afetava. Noutras palavras: Ninguém podia fazer nada a Deus e ser maior do que Deus. Portanto, Deus deveria ser completamente incapaz de sentir alegria; felicidade; tristeza; pesar; sofrimento.
Pois é justamente neste mundo com compreensões tão diferentes de Deus que o cristianismo é introduzido. Neste novo momento se prega que Deus vive as alegrias e as tristezas da experiência humana. Não é preciso ser nenhum superdotado para perceber que essa proposta cristã revolucionou as relações da humanidade com Deus. Durante séculos tinha se acariciado a ideia de que Deus era intocável e agora, de repente, se diz que Deus, na pessoa de Jesus Cristo, se submete a tudo aquilo a que as mulheres e os homens também se submetem. Difícil de absorver…
Sim! Jesus é o “Sumo Sacerdote misericordioso” que amou sem esperar nada em troca; que caminhou no ritmo da humanidade e que, por isso mesmo, experimentou a periculosidade dos abismos, a insegurança das tensões e a dor das tentações; que lutou com todas as Suas forças para vencer as tentações impostas pelo Inimigo Maior de Deus. Sim, Jesus sofreu tentações bem mais intensas do que as nossas e isso, sem desmaiar. Jamais alguém foi tentado como Ele. A Bíblia sublinha que Jesus foi tentado com a “exceção do pecado“. O fato é que a experiência de “sofrimento” vivida por Jesus fez Dele um homem extremamente simpático, empático, capaz de sentir a nossa dor exatamente como a sentimos; capaz de perceber o nosso prazer tal como o percebemos, e isso tudo, sem perder de vista que se trata da nossa dor, do nosso prazer.
Quer dizer: Deus conhece e entende o Seu povo. Outro dia eu fiquei pensando, refletindo sobre as experiências que vivi. Não é assim que quando uma pessoa não é capaz de entender a outra, ela a condena? Claro que sim! Deus não age assim. Ele nos entende e é por isso que nos perdoa. Não há nenhum âmbito da experiência humana do qual Deus não possa dizer: “Eu estive ali, experimentei aquilo ali, conheço o contexto daquela situação“. Quando temos uma história triste e lamentável para contar; quando a vida nos promove “sofrimento“, então não nos dirigimos a um Deus que seja absolutamente incapaz de entender o que nos aconteceu, mas buscamos um Deus que já experimentou o que experimentamos.
Deus sabe ajudar.