JESUS, O “MESSIAS”

            Este  título cuja origem e antes de tudo, é trabalhar com o aspecto escatológico do Judaísmo. A concepção desse “messias”se cristalizou num conceito muito abrangente, e como conseqüência teve que englobar também outras concepções cristológicas, e muitos outros adjetivos ficaram-lhe subordinadas. No Judaísmo, tudo o que está relacionado ao fim, vincula-se ao “Messias”. A Esperança de todos se resumia num Redentor, mas, com traços políticos, traços nacionais judaicos. Este título tem muito significado principalmente para os Judeus e para os Cristãos primitivos. Os Cristãos desde muito cedo tinham como costume associar o “Cristo” ao nome de Jesus. E alguns traços do Messias Judaico tiveram uma importância particular para os primeiros cristãos.
            O conceito de “Messias” no Judaísmo. Levando em conta certos textos do Antigo Testamento, os Judeus viam o messias como o “ungido”. Em sua concepção, ungido, é mais indicado para o rei de Israel (1Sm 9.16;24.7). Este título foi também dado a Ciro (Is 45.1). Esse “ungido” significa aquele a quem Deus escolheu para a realização de sua obra, a obra da libertação. O Rei é visto como alguém enviado por Deus. E Israel tem um caráter mais divino: Deus é quem governa. E assim por diante, esse termo é usado para muitas outras funções, como por exemplo: profetas (1Rs 19.16); e sacerdotes (Ex 28.41). Esperava-se um rei totalmente terreno, político, e não um ser celestial que apareceria sobre a terra de uma forma milagrosa. Com o correr do tempo, houve uma mudança de significado em relação ao “messias”. E uma forte tendência, era identifica-lo como um político.
            Como Jesus utilizou este título para consigo mesmo. Talvez devido a má compreensão do termo pelos Judeus de sua época, Jesus optou por não usar este título à sua pessoa, utilizando assim o termo “filho do homem” com o qual se identificava. Disto, temos evidências no Novo Testamento. E Cullman analisa três textos de Marcos (Mc 14.61ss; 15.2ss; 8.27ss) com seus paralelos, para expor uma opinião própria de que Jesus teve um certo receio de se chamar o “messias”. Cullman diz também, que Jesus teve considerável cautela, considerando algumas vezes como tentação satânica às idéias que se agregavam a ele. Enfim, visto que opõe conscientemente a idéia de Ebed Iahweh à de um Messias político. A maneira em que Jesus cumpre sua missão, se opõe à esperança judaica. Baseado no texto de Mc 12.35ss, Cullman coloca que a filiação de Cristo com Davi é negada como fator decisivo para a realização de sua obra salvífica. Concluindo, Jesus não negou ser o “messias”, mas teve medo, ou receio de usa-lo, porque isso dava uma idéia de rei político.
            Significado deste título para os “cristãos primitivos”. Entre as comunidades primitivas, este título de Messias não tinha o mesmo sentido do que para os Judeus contemporâneos de Jesus. Nenhum outro adjetivo cristológico teve uma assimilação como o de “messias”, em relação ao nome de Jesus. As comunidades de origem helenista utilizaram sem menor receio o título “Messias” no sentido original. Os conflitos entre o “messias” e o “filho do homem” tornaram-se inexistentes, e sua afirmação servia como confissão de fé dos discípulos de Jesus. O título “filho de Davi” adquiriu uma grande importância entre os cristãos. E Jesus mostrou a sua força, a sua realeza davídica quando subiu para a direita de Deus. E por fim, essa afirmação fez parte das confissões de fé, conforme Rm 1.3.