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| http://povodearuanda.files.wordpress.com/2009/07/morte.jpg |
A morte – uma calamidade que apavora, assombra, angustia. A luta eu o gênero humano trava contra ela começa antes do nascimento e continua a vida inteira. A morte sempre provoca humilhação, dor, lágrimas, tristeza e saudade. Nos conceitos da humanidade ela tem sido campeã invicta;
– Quem és, ó morte? Qual o teu objetivo?
– Meu propósito é a cessação definitiva de todos os atos cujo conjunto constitui a vida dos seres organizados, isto é, a desintegração somato-psíquica, que reduz o homem sucessivamente à putrefação, ao esqueleto e por fim ao pó.
– Sentes prazer nisso?
– Gostos e cores não se discute.
– Quais os teus instrumentos favoritos para ceifares as vidas?
– A fome, o frio, abalos císmicos, furacões e enchentes. Acidentes de trabalho e de trânsito. Ainda me utilizo de outro instrumento, por sinal muito eficiente: o próprio homem…
– Como assim?
– Os 130 conflitos bélicos nos primeiros 70 anos do presente século já provocaram 90 milhões de mortos. O crime que acontece a cada dia e os vícios que dia a dia levam milhares de vidas para o meu reino.
– Por que és tão imprevisível, tão inoportuna, tão maldita?
– Conheço a velha acusação do profeta bíblico, de que subo pelas janelas e entro nos palácios; extermino das ruas as crianças e os jovens das praças. Sou mesmo rude. Também implacável. São privilégios de uma ditadura. Não faço discriminação de pessoas, pois ceifo crianças e velhos, ricos e pobres, príncipes e plebeus, robustos e esqueléticos, crentes e descrentes, brancos e pretos, cultos e ignorantes. Até aqueles cuja profissão dependem de mim: o médico que tenta me afastar, o pastor que conforta os moribundos, o coveiro que sepulta as minhas vítimas. Todos hão de passar pela minha garganta.
Somos homens do progresso. Conseguimos fertilizar desertos, erguer edifícios que alcançam as nuvens, transplantar corações, visitar outros planetas – e não conseguimos remover, desviar ou matar a morte. Cada segundo que passa a morte dá mais um passo em nossa direção. E nós tememos, repugnamos e odiamos a morte. É que estamos vivos e amamos, adoramos e nos apegamos à vida. Em cada minuto que passa a morte carrega mais de 100 vidas deste mundo para o seu. Em um ano, são mais de 50 milhões de seres humanos que são levados.
OBS: autor desconhecido.




