Mensagem – O ser humano diante da Morte 1ª parte

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O ser humano, de uma forma geral, sente-se desconfortável quando o assunto gira em torno da morte. Sabe-se naturalmente que “todos os homens são mortais; mas para cada indivíduo a sua morte representa um ato de violência” (STROBEL, 1974, p. 12).[1] Para fugir dessa realidade, tenta-se “maquiar” a morte, vendo-a “como algo “natural”, como um exemplo da transitoriedade de toda a natureza; por isso recomendam que não devemos tomá-la tão a sério” (ALTHAUS, 2008, p. 421). Entretanto, como Lutero mesmo afirma, a realidade não é essa.
A Escritura Sagrada, no entanto, abriu seus olhos (de Lutero) para o que realmente acontece quando morremos. Morrer é algo mais do que um fenômeno biológico. Morrer é uma realidade humana; e isso a distingue do fim das plantas e da vida animal. Plantas e animais não chegam ao fim por causa da ira de Deus, mas conforme a ordem natural estabelecida por Deus. A morte de uma pessoa, no entanto, é uma infinita e eterna miséria e ira. Porque o homem é uma criatura criada conforme a imagem divina, para a vida eterna, para viver para Deus, não para a morte. Sua morte não é o resultado de um processo natural criado por Deus. Antes, a morte foi imposta e colocada sobre as pessoas pela ira de Deus. Por isso as pessoas têm um pavor tão terrível diante da morte, como nenhum outro ser vivo experimenta. Nós precisamos compreender o fato da morte teologicamente, no relacionamento entre Deus e o homem. Nesse relacionamento está o decisivo e totalmente abrangente destino do homem (ALTHAUS, 2008, p. 421).
Observa-se assim que, no decorrer de toda a Escritura, “a morte está vividamente retratada, não como um fenômeno natural, mas como um aspecto da maldição que veio sobre o homem por causa do seu pecado” (HOEKEMA, 2001, p. 99).
Quanto ao seu agente causador, vemos que “o diabo é um dos causadores da morte – em Jo 8.44 ele é chamado de homicida – nisso que ele desvia as pessoas para o pecado” (PIEPER, 1920, p. 570) [2]. Por outro lado, também Adão é a causa da morte de todos os seus descendentes (Rm 5.12), porque a sua culpa é herdada por todos os seus filhos, os quais também são pecadores merecedores da morte (MUELLER, 2004, p. 570).
Vemos assim que o ser humano, por vezes, “falha em reconhecer a seriedade e o peso da morte” (ALTHAUS, 2008, p. 421). Esta representa, muito além de um simples processo natural, a ira de Deus com relação à humanidade pecadora.

autor: EDERSON ANDRÉ VORPAGEL


[1] Original: Alle Menschen sind sterblich; aber für jeden ist sein Tod ein Gewaltakt.
[2] Original: Der Teufel ist eine Todesursache – er heißt Joh. 8,44 Menschentöter –, insofern er die Menschen zur Sünde verführte.