Chaves para o perdão

Jesus, no entanto, não para por aí. Ele continua: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja”. É este o significado do seu nome: pedra, rocha. Mas será ele este discípulo forte que estará firme como uma rocha na turbulência das ondas?
Conhecemos um pouco de sua história. Sabemos de suas manifestações impulsivas e instáveis. Conforme os versículos que seguem, Jesus teve que repreendê-lo porque tentou impedi-lo de seguir o caminho da cruz. E na noite em que Jesus foi preso, Pedro fracassou vergonhosamente. Uma mulher o desestruturou com a simples afirmação: “Tu também és um do grupo deste Jesus”. Neste momento ele trocou a confissão pela negação: “Não conheço este homem.”
Pedro: uma pedra, uma rocha? Sim, mas não pela força e capacidade natural de sua pessoa. É unicamente a palavra de Jesus, a sua promessa, sua fidelidade que fez de Pedro uma pedra viva capaz de contribuir na edificação de sua igreja. Após seu grande fracasso, Jesus se dedicou pastoralmente a Pedro para restaurá-lo e capacitá-lo para que pudesse apascentar as suas ovelhas (João 21.15-17).
Pedro recebe ainda uma segunda promessa: “Dar-te-ei as chaves do reino dos céus.” Chaves são um símbolo de autoridade. A tarefa que lhe é confiada, portanto, não consiste em permitir ou negar o acesso ao reino dos céus. A tradição, infelizmente, fez de Pedro uma espécie de segurança ou guarda da porta de acesso ao céu.
A incumbência de Pedro é a de levar pessoas a Cristo, de quem receberão perdão dos pecados, sendo, assim, libertas do poder do mal. Terá autoridade para ensinar e disciplinar, mostrando o que é da vontade de Deus e o que não.
A igreja que Jesus mesmo edificará recebe a promessa: “As portas do inferno não prevalecerão contra ela.” Que palavra de animo e de consolo! Pensemos em Pedro e nos demais apóstolos que se puseram a caminho com a boa nova da salvação! Com esta promessa de Jesus puderam ir na certeza de que ninguém impediria que a pequena semente brotasse, crescesse e frutificasse. E este processo de desenvolvimento da igreja já conta com uma história de quase dois mil anos!
Esta promessa também é válida para nós hoje que vivemos em meio a tanto desânimo e resignação: A igreja ainda tem futuro? Não estamos na iminência de sermos atropelados por uma sociedade em que o espaço da igreja é cada vez mais limitado?
Martim Lutero certa vez disse: “Não somos nós que haveremos de manter a igreja. Também os nossos antepassados não a mantiveram. Igualmente não serão os que nos sucederem. Quem manteve, mantém e manterá a igreja é unicamente este que disse: “Eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século.”