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“Paulo vê a Deus interessado também nos indivíduos. Deus dá boas dádivas a cada um dos seus; ele dá a cada um deles um “carisma” (1Co 7.7), atribui a cada um deles um lugar na vida (1Co 7.17), atua em todos (1Co 12.6) e lhes dá prosperidade (1Co 16.2). Ele dá um espírito de “poder, de amor e de moderação” (2Tm 1.17). Quando ele dá o dom de profecia, mesmo quem não é membro da igreja será obrigado a dizer: “Deus está, de fato, no meio de vós” (1Co 14.25). Os crentes conhecerão essa presença, é claro, mas é uma presença que, às vezes, pode se manifestar assim aos de fora. Quando o corpo de Cristo cresce, é Deus quem o faz crescer (Cl 2.19). A atividade de Deus até mesmo vai além da sua atuação em seu povo e em favor deste. Uma informação paralela interessante na explicação da ressurreição apresentada por Paulo é sua afirmação de que Deus dá a cada semente um “corpo” (1Co 15.38); mesmo uma pequena semente não cresce independente dele.
Deus nos fez para seu propósito específico e nos deu o Espírito (2Co 5.5). Ele nos fortalece e unge (2Co 1.21), e essa unção é uma referência ao Espírito. De modo semelhante, pode fazer toda graça ser abundante em nós (2Co 9.8). Ele nos ensina (1Ts 4.9) e supre todas as nossas necessidades (Fp 4.19). A armadura com que somos equipados é a “armadura de Deus” (Ef 6.11,13), e nessa armadura temos poder para destruir as posições do inimigo (2Co 10.4). Os crentes não confiam em sua própria capacidade, mas nesse equipamento de Deus, e Paulo pode dizer: “Nossa suficiência vem de Deus” (2Co 3.5). Deus está no começo da vida cristã, pois ele nos “destinou” para receber a salvação, não a ira (1Ts 5.9).
Paulo diz que Deus o “separou” desde o ventre materno e o chamou (Gl 1.15), e que ele designa esferas de trabalho para os seus (2Co 10.13). Ele diz que Deus é quem abre a porta para o trabalho (Cl 4.3) e abre caminhos (1Ts 3.11). Está claro que Paulo vê a vida cristã dependente de Deus e de seu chamado, não de alguma idéia esplêndida do crente. E o trabalho do cristão, ele vê executado sob a direção de Deus e com o equipamento fornecido por Deus. Deus está em todas as coisas, Paulo tem muito a dizer sobre o trabalho para Deus, e aqui é que vemos pela primeira vez que é a Deus que se espera que os crentes sirvam. A salvação não é apenas um privilégio, mas também uma responsabilidade — especificamente, uma responsabilidade para com Deus, Ao falirmos de trabalho, devemos enfatizar o que Deus faz no servo e não o que o servo faz ao seivir. Assim Deus atua nos seus (Fp 2.13); e quando os servos trabalham bem, é Deus quem dá o crescimento, não eles (1Co 3.6-7). Deus trabalha junto com eles, tanto que podem ser chamados “cooperadores de Deus” (1Co 3.9).2<> Na proclamação do evangelho da reconciliação, é Deus quem insiste com os pecadores para que se deixem reconciliar (ainda que fazendo isso por meio dos pregadores; 2Co 5.20).
Por outro lado, Paulo exortou os romanos a se oferecerem a Deus (Rm 6.1 3; cf. 12,1); eles são escravos de Deus (Rm 6.22; 12.11; cf. 1.1; 1Ts 1.9). Devemos entender que isso não significa que eles sejam empregados, mas que são de Deus de todo o coração; a linguagem é de devoção total.27 É importante que eles agradem a Deus (Rm 14.18) e que o adorem (1Co 14.25), e em relação a isso não devemos nos esquecer das referências à oração (Rm 10,1; 15.30; 1Co 11.13; Ef 6.18-19). Os crentes precisam ter em mente que existem “ordenanças de Deus”(1Co 7.19; Tt 1.3) e que mesmo a liberdade dos cristãos não significa que eles estejam “sem lei para com Deus” (1Co 9.21).28 “Mandamentos” e “lei” nesses versículos não devem ser entendidos no sentido de restrições penosas, mas da provisão graciosa de Deus pela qual ele concede orientação aos seus para que saibam que caminho seguir.”
Fonte: Morris, Leon. Teologia do Novo Testamento. São Paulo: Edições Vida Nova, 2003.




