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O texto de Gn 50. 15-21, nos conduz neste tema.
A novela que conta a história dos filhos de Jacó é uma narrativa envolvente. Jacó é pai de uma família numerosa e nas grandes famílias não é incomum que haja rusga entre irmãos. José recebe mais atenção do pai e os irmãos sentem ciúmes dele. Planejam e executam um plano para livrar-se do irmão que lhes rouba a melhor atenção do pai. Vendem-no para um mercador de escravos e dizem ao pai que o filho foi morto por um animal no campo onde pastoreavam os rebanhos dele. Sua mentira e seu mau proceder provocam uma dor profunda no pai que pensa ter perdido o filho, além de rebaixar o irmão à condição de escravo no Egito, para onde foi levado e vendido.
Mas, sucede que, em lugar de se livrarem do irmão acabam ficando reféns de sua bondade. Nada como um dia após o outro para trazer à luz os males praticados e pretensamente encobertos. Como diz o ditado: “a mentira tem pernas curtas”, ou seja, ela não nos conduz muito longe sem sermos alcançados. E eis que Deus, “mudou o mal em bem para salvar muita gente!” Sobrevindo um tempo de seca e de fome, os irmãos precisam dirigir-se ao Egito. E, lá está José, não mais como escravo, mas promovido pelo Faraó à condição de governador, responsável por organizar a produção e negociar o cereal que pode aplacar a fome. José reconheceu seus irmãos, mas eles não o reconheceram. Mesmo assim, ele se identifica e eles podem levar o mantimento à casa do seu pai Jacó. Passado algum tempo, Jacó faleceu. Neste momento, os irmãos temem pelo futuro, pois José poderia querer vingar-se do mal que lhe haviam feito.
Ao insistirmos em trazer o tema do perdão para dentro de nossa realidade cotidiana, somos confrontados com um acontecimento histórico, que hoje completa dez anos: o ataque terrorista que derrubou as torres gêmeas, símbolo do poderio econômico dos Estados Unidos da América. Aquele ato de violência, como sabemos, desencadeou outros atos de violência como forma de retaliação. Já se disse que o mundo não é mais o mesmo depois daquele atentado. Poderá esta lógica da vingança produzir um equilíbrio que assegure a paz mundial? Precisamos, honestamente, continuar insistindo que a opção pelas guerras e pelos atentados é o caminho para se chegar a um entendimento entre os povos e culturas diversos? Seria muito pretensioso lembrar que as Escrituras, em especial a narrativa de José e seus irmãos, apontam para uma alternativa? Corações e mentes de homens e mulheres que se dizem tementes a Deus não deveriam deixar-se guiar pela fé de que “Deus transforma o mal em bem”? Não terá a humanidade homens e mulheres com maturidade suficiente para liderarem um processo de paz com justiça que assegure a dignidade da diversidade cultural?
Como vemos, perdão é um tema atualíssimo que não fica restrito à esfera individual. Perdão é o caminho que abre as chances para a restauração de relações em todos os âmbitos, baseadas na generosidade, na misericórdia e no respeito. Temer a Deus e fazer o que é justo foram os princípios que balizaram o caminho de José. Esses princípios também podem capacitar a nós sempre que formos tentados a retribuir o mal com mal. Temer a Deus e fazer o que é justo são princípios que podem balizar o caminho da humanidade na construção de relações de paz com justiça.
P. Osmar Luiz Witt




