“A asserção de que a teologia do Espírito Santo sofre de negligência é feita para enfatizar um fato trágico que tem estado em evidência, com algumas exceções, desde o segundo século da era cristã. Há relativamente poucas referências ao Espírito pelos Pais Apostólicos. Além disso, quando tais referências são encontradas, não é raro encontrá-las identificando o Espírito Santo com o Cristo pré-existente. … Além disso, uma das formas antigas do Credo Apostólico que chegou até nós contém muitas das caracterizações confessionais familiares sobre o Pai e o Filho, mas conclui com a simples frase ‘e no Espírito Santo’.
“Similarmente, a forma mais antiga do Credo Niceno, adotado no Concílio de Nicéia, em 325 A.D., acrescenta afirmações mais detalhadas sobre as duas primeiras Pessoas da Trindade, mas se satisfaz com uma virtual repetição, a frase ‘e no Espírito Santo’. …
“Este é um fenômeno religioso extremamente estranho, pois a era apostólica está literalmente cheia de testemunhos sobre o Espírito Santo. Assim, as afirmações do Filho de Deus nos Evangelhos descrevem um ministério rico e variado do Espírito de Deus. O livro de Atos constitui-se em um registro divino extremamente vívido dos resultados benditos do ministério do Espírito na vida de cristãos individuais e nas congregações cristãs. As Epístolas de Paulo oferecem tantas alusões à Pessoa e obra do Espírito Santo quantas são encontradas nos Evangelhos e no livro de Atos juntos.” (16,17)
Uma das causas para a pouca ênfase dada no período pós-apostólico é que os pronunciamentos da Igreja se davam em grande parte frente a controvérsias teológicas. Daí que a Cristologia do período pós-apostólico é tão rica, pois teve de fazer frente a controvérsias doutrinárias que se concentravam na pessoa de Cristo. (18)
“… nenhuma seção sobre o Espírito Santo foi incluída na Confissão de Westminster (1643) … somente no início deste século esta omissão foi corrigida em um dos grandes grupos protestantes da América, e apenas após prolongada controvérsia (A Igreja Presbiteriana nos EUA acrescentaram um capítulo ‘Do Espírito Santo’ em 1902).” (19,20)
“Robert E. Cushman atribui esta negligência a três fatores: (1) a ascensão do mundo científico, com seus desafio à soberania de Deus; (2) a influência viciante do Pelagianismo com sua ênfase na realização moral do homem; (3) a tendência de Schleiermacher e seus seguidores de substituírem o ministério do Espírito pela experiência religiosa do homem.” É interessante notar que cada uma destas três explicações envolve um demérito a Deus e uma elevação do homem, uma substituição da graça de Deus pelas realizações do homem, uma deificação em menor escala do super-homem espiritual, um tipo de religião faça-você-mesmo. (21)
A negligência à importância da doutrina do Espírito Santo pode ser explicada por uma série de motivos na vida dos cristãos:
“… falta de conhecimento do vigor da teologia do Espírito Santo, assim como ela é revelada nas Escrituras.
“… o pressuposto enganoso de que este ministério é tanto em teoria como na prática mais remoto que muitas outras verdades divinas.
“Para muitos, as verdades concernentes ao Espírito Santo permanecem mais remotas simplesmente porque elas não se tornaram tão presentes e vibrantes em nossa vida diária como Deus quer que sejam.” (22)
fonte: Lorenz Wunderlich, The Half-Known God, St. Louis: Concordia Publishing House, 1963.



