Cl 1.13-20
O texto a pouco lido faz parte das leituras propostas para o último domingo da igreja, celebrado neste domingo. O que nos lembra de fim. As coisas se acabam, encerram, chegam a um término. Assim como uma etapa na vida de alguém. Um trabalho com um ponto final e tudo esta encerrado. Mas, para a igreja cristã, não é assim. O último domingo da igreja, não é o fim, mas lança luz na obra redentora de Cristo, que volta a se iniciar com o anúncio da sua vinda. Através do texto, podemos perceber isso. O falar da obra de Cristo, não é motivo para se encerrar um ciclo, mas re-iniciar outro, pois em Cristo está a salvação para todos, para o próprio universo.
Para que Jesus Cristo realizasse a obra da salvação “o verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1.14). O próprio Deus tomou a forma dos homens. O texto ressalta a divindade de Jesus Cristo: “Este é a imagem do Deus invisível” (v. 15). Jesus é a perfeita manifestação de Deus. No entanto, podemos lembrar que o próprio Deus criou “o homem a sua imagem, a imagem de Deus o criou” (Gn 1.26-27). O homem foi feito para ser, nada mais que, a imagem de Deus. Isto o homem estava destinado a ser. Mas, com a vinda do pecado, o homem jamais conseguiu ser esta imagem de Deus. Agora, vem Paulo é diz: “Este”, Jesus Cristo, “é a imagem do Deus invisível”. Assim, Jesus não só mostra como é Deus, mas também como o homem estava destinado a ser. Em Cristo está a verdadeira humanidade que Deus criou. Jesus é a verdadeira manifestação de Deus e a verdadeira manifestação do homem. Aqui temos a verdadeira divindade e a verdadeira humanidade de Jesus Cristo.
O que Paulo quer ressaltar aqui é a reconciliação que Jesus Cristo veio proporcionar ao homem perdido. Com o pecado que passou a habitar o homem, houve uma quebra de relacionamento. O homem se afastou de Deus. Por Deus ser santo e exigir a santidade dos seus filhos, os quais não podem mais ouvir a voz de Deus, criou-se um abismo, um distanciamento. O homem seguindo o seu próprio caminho permanece em trevas. Longe de Deus, satisfazendo os seus próprios desejos, em pecado. João nos escreve: “Aquele que pratica o pecado procede do diabo, porque o diabo vive pecando desde o principio” (1Jo 3.8). Desde o princípio desta corrupção o homem tem como castigo por Seu pecado: a morte. Mas, “para isso se manifestou o Filho de Deus: para destruir as obras do diabo”. Cristo veio para resgatar, para reconciliar o homem consigo mesmo. Libertar o homem do império das trevas. Assim, Jesus toma sobre si os nossos muitos pecados que cometemos e por meio do seu sangue derramado na cruz nos perdoa, nos faz santos, nos reconcilia com o Pai.
Por Jesus Cristo. Por sua obra perfeita. Pela remissão dos pecados que Cristo nos deu. Por isso que a igreja cristã anuncia a Cristo. Pois assim como nós somos alcançados dia-a-dia com esta boa nova, assim também muitos ainda precisam conhecer o único Salvador, o Nosso Senhor Jesus Cristo, que nos comprou, “sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo” (1Pe 1.18, 19).
A igreja, na certeza de que Cristo está conosco todos os dias até a consumação dos séculos (Mt 28.20), quer anunciar a este Cristo, quer anunciar a sua obra. Além do mais, Cristo é a cabeça da igreja. Nós somos o corpo de Cristo, e por meio de nós que Cristo faz a sua obra. Somos realmente servos de Cristo, pois o corpo serve a cabeça. Neste servir que a igreja quer encerrar e re-iniciar o ciclo.
Que nós como igreja cristã possamos sempre guiados pela cabeça que é Cristo, anunciar a salvação que Ele mesmo nos proporcionou. Na certeza do perdão dos pecados, que possamos também anunciar, em Cristo “perdoado são os teus pecados”.
Nossas atividades no Seminário estão se encerrando. Final de semestre. Final do ano. Mas, que na esperança de que Cristo está conosco todos os dias até a consumação do século, possamos sempre iniciar novas etapas, como também, re-iniciar o ano da igreja com a obra de Cristo no centro, pois o mais importante é anunciar a Cristo para a Salvação de muitos.
Amém.



