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Normalmente, quando uma congregação fica vacante (sem o seu pastor), ela se prepara para chamar um novo pastor. Essa prática geralmente é precedida de um contato com o conselheiro distrital, com o Presidente da IELB, consultas ao Anuário Luterano, etc. Geralmente, enquanto essa busca por nomes está em andamento, surgem grupos na congregação que delineiam o perfil do pastor mais indicado e talhado para ocupar o cargo.
Há aqueles que preferem chamar um pastor mais “experiente”, e não um recém-formado, saído de um de nossos educandários. Tal atitude parece que está a dizer que os “novos pastores” não estão lá muito bem preparados para enfrentar certos desafios, ou, ainda, que a sua formação acadêmica não é das mais qualificadas. Aqui cabe lembrar que todo pastor “experiente” foi também um dia um recém-formado e, se hoje ele é “experiente”, isso se deve ao fato de ter ele recebido um chamado logo após a sua formatura.
Mas também há o grupo que prefere chamar um pastor “jovem”, desconsiderando assim os “experientes” ou os mais antigos. A congregação precisa de mudanças e renovação, e nada como um pastor “jovem” para viabilizar esse processo, dizem eles.
O que deve ficar claro é que ambos os grupos, ao fazerem certas exigências e restrições, estão muitas vezes ignorando o importante papel do Espírito Santo no processo de um chamado (chamado divino). Não é lá uma boa idéia restringir a ação do Espírito Santo só porque “sentimos” que precisamos de um pastor mais “experiente” ou mais “jovem”.
Recentemente, ao ler o informativo The Deaf Lutheran (O Surdo Luterano), encontrei uma ilustração que muito bem se adequa ao tema até aqui exposto.
Certa congregação estava encontrando dificuldades para chamar um novo pastor. Havia aqueles que queriam um pastor mais “experiente” e outros um pastor mais “jovem”. O presidente da congregação já estava desanimado diante do fato. Num domingo, ele se colocou diante da congregação reunida e perguntou: “Vocês desejariam ter este homem como nosso pastor?” e procedeu a leitura de uma carta, que dizia assim:
“Entendo que o púlpito de sua congregação está vacante e eu gostaria de me candidatar para esta posição. Tenho muitas qualificações. Tenho tido muito sucesso como pregador e também algum sucesso como escritor. Alguns dizem que tenho tino para organização. Fui um líder na maioria dos lugares em que estive. Estou com mais de 50 Anos. Eu nunca preguei em um lugar por mais de três anos. Em algumas cidades o meu trabalho causou tumultos e perturbações. Devo admitir que já estive preso por três ou quatro vezes, mas não porque tivesse feito algo realmente errado. Minha saúde não está muito boa, embora eu continue trabalhando bastante. As igrejas nas quais preguei eram pequenas, embora estivessem localizadas em grandes cidades. Não me relacionei muito bem com os líderes religiosos nas cidades que preguei. Na verdade alguns me ameaçaram e até me atacaram fisicamente. Eu não sou muito bom para guardar registros. Tenho fama de esquecer quem batizei. Todavia, se vocês desejarem meus serviços, eu darei o melhor de mim por vocês”.
O presidente olhou para a congregação reunida e perguntou: “Bem, o que vocês acham? Devemos chamá-lo?”
Os membros da congregação estavam espantados. Chamar um pastor doente, causador de problemas, fraco de memória e ex-presidiário! Seria uma loucura! Quem assinou esta carta? Quem teve tamanha audácia?
O presidente olhou para todos os presentes cuidadosamente e respondeu: “A carta está assinada pelo apóstolo Paulo”.
Como dissemos anteriormente, é só uma ilustração. Nenhum pastor faria algo semelhante, muito menos o Apóstolo Paulo. A moral, porém – se é que há alguma – é que nossos pastores podem não ser perfeitos, mas certamente precisamos deles”.
Rev Ely Prieto, “Mensageiro Luterano” de Maio/91, página 12.




