Missa no Artigo XXIV
O objetivo do Artigo XXIV da Confissão de Augsburgo é apontar para que os Luteranos aceitam e rejeitam na prática da missa. O artigo começa falando a respeito das práticas luteranas, ou seja, do que é considerado correto na missa de um ponto de vista luterano e escriturístico. A segunda parte fala então dos abusos cometidos pela igreja católica com relação à missa.
O artigo começa falando que a missa entre os luteranos não foi abolida, muito pelo contrário, esta é administrada com devoção e seriedade, cuidando para instruir as pessoas sobre o sacramento (e examinadas antes de recebê-lo – conforme versão latina) e sobre o Evangelho de Cristo. A missa também não sofreu mudanças cerimoniais, a não ser uso da língua alemã no lugar da latina (a princípio somente em algumas partes), isso porque as cerimônias devem ser usadas para instruir o povo sobre a obra e a pessoa de Cristo.
Logo em seguida, passa-se a falar sobre os abusos da missa católica, a qual usou a missa para fins comerciais, onde a missa era comprada e vendida para causas específicas, estas causas na maioria das vezes era a salvação ou diminuição do tempo no purgatório para pessoas vivas e mortas. Tais missas, diz a Confissão, foram abolidas das igrejas Luteranas.
Outro erro que foi censurado, e este de vínculo mais doutrinário, é que se ensinava que Cristo havia morrido para satisfazer apenas o pecado original, sendo que os outros pecados deviam ser pagos através de sacrifícios, e a missa entendia-se que havia sido instituída para servir de meio pelo qual estes pecados havia de ser pagos. Foi desta idéia de missa que surgiram as missas particulares, daí em diante, ao invés de comprar uma missa onde teria uma congregação inteira a participar desta, era possível, que estas missas fossem compradas e rezadas apenas pelo bispo, sem necessidade de uma congregação. Com essas idéias esqueceu-se o verdadeiro significado da missa.
Com isso foi necessário que se instruísse o povo a respeito do correto uso da missa e do sacramento. Aqui é importante apontar para o fato de que nas Confissões quando se fala de missa, subentendesse o Sacramento do Altar e vice-versa, ou seja, muitas vezes quando se fala em Sacramento se esta na verdade apontando para a missa e vice-versa.
Em primeiro lugar se esclareceu que o sacrifício de Cristo, segundo as Escrituras Sagradas, é o único meio pelo qual os pecados são expiados, tanto o pecado original, quanto os pecados atuais do ser humano (Hb 9.26, 28; 10.10, 14).
Em segundo lugar, Paulo ensina que só podemos ter graça diante de Deus por meio da fé e não por meio de obras. Já a missa como era ensinada entre os católicos previa o fazer de obras meritórias diante de Deus, ou seja, justamente o contrário do que Paulo ensina.
Em terceiro lugar, o santo sacramento não foi instituído para que com este se pudessem fazer sacrifícios pelos pecados, visto que o sacrifício foi feito uma única e suficiente vez por Cristo na cruz, antes este foi instituído para oferecer ao crente o manter e despertar da fé nas promessas graciosas de Cristo (perdão dos pecados).
Segundo a Confissão, já que a missa havia sido abolida no sentido de sacrifício pelos pecados de vivos e mortos, essa passou a ser feita apenas de forma congregacional, reunindo aqueles que desejavam comungar. Ainda a Confissão faz questão de dar autoridade a esta informação citando alguns pais da igreja como Crisóstomo (Gregório e Crisóstomo, na latina).
Por fim, se pode dizer que a igreja Luterana não deixou de praticar a missa e os sacramentos, antes buscou corrigir os abusos feitos pela igreja católica, a qual havia corrompido o sentido da missa e do Santo Sacramento, transformando-as de graça divina em obra humana para receber méritos diante de Deus.