CONTEXTO HISTÓRICO DA IGREJA EM FILIPOS – PARTE 1

CONTEXTO HISTÓRICO DA IGREJA EM FILIPOS

Mesmo em algum Atlas de boa qualidade, o mapa da Grécia de hoje não apresentará a cidade de Filipos. Existe ainda uma localidade de nome Filippi, trata-se, porém, apenas de um pequeno vilarejo retirado, de cerca de mil habitantes, nas proximidades de um extenso campo de ruínas da antigüidade. Neste sempre tem havido novas escavações desde a primeira guerra mundial. Algumas ruínas de torres, restos de arcadas e muralhas que se perdem nos campos e banhados em direção à planície, são tudo o que restou da antiga Filipos. Mesmo assim, esta foi outrora uma cidade importante, progressista e populosa, que gozava de tamanho prestígio que Paulo, ao empreender sua primeira tentativa de missão na Europa, não o fez na cidade portuária de Neápolis, que ainda hoje, sob o nome de Kavala, continua próspera e na qual ele pisou pela primeira vez o solo europeu, mas se dirigiu a Filipos, situada mais no interior (GERHARD, 1983, p. 5)[1].

A designação de Filipos provém do seu fundador, o rei macedônio Felipe II, pai de Alexandre Magno. A cidade adquiriu uma certa importância somente na época dos romanos, inicialmente através da conhecida batalha dupla de Filipos no ano 42 a.c., na qual de certo modo se decidiu o destino da república romana entre os cesarianos Otávio e Antônio e os republicanos assassinos de César: Brutos e Cássio. Pouco tempo depois da batalha, Antônio passou a colonizar a cidade com romanos. Posteriormente, em diversas levas foram trazidos veteranos para morar ali, a cidade foi elevada à categoria de colônia militar, sendo-lhe concedidos direitos especiais como colonia Julia Augusta Philippienses. Além disso, seu progresso econômico foi favorecido principalmente por sua localização na via Egnatia, a estrada que liga o leste do império com o oeste e com Roma (GERHARD, 1983, p. 5).

A vida muito movimentada, ocasionada pela via Egnatia, de trânsito muito intenso, também teve seus efeitos sobre a área religiosa. As escavações trouxeram à tona o nome de praticamente duas dúzias de divindades veneradas em Filipos. Entre estas se encontravam também divindades orientais, como Isis, Sarapis, Mitras, Sibele e Harpócrates. Em Atos 16.13 ficamos sabendo que ali também havia uma pequena comunidade judaica. Este sincretismo religioso, isto é, esta coexistência de religiões, comunidades culturais e correntes intelectuais distintas, concorrentes e que se influenciavam reciprocamente, deve ter tido consideráveis efeitos também sobre a vida da comunidade de cristãos (GERHARD, 1983, p. 6) .

[1] Historicamente certo é também que Paulo teve que interromper sua missão em Filipos devido a perturbações de procedência externa e problemas com as autoridades (GERHARD, 1983, p. 6).

 

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