Educação em Lutero uma abordagem ainda para o século 21

            Neste artigo estaremos analisando dois escritos de Lutero que constam nas Obras Selecionadas (v. 5): Aos conselhos de todas as cidades da Alemanha para que criem e mantenham escolas cristãs (1524) e Uma prédica de Martinho Lutero para que se mandem os filhos para a escola (1530). O objetivo deste trabalho é avaliar o desenvolvimento teológico de Lutero dentro do assunto “Educação” conforme esses escritos de épocas distintas. Após o estudo e comparação destes dois escritos não pude perceber um desenvolvimento teológico significativo em Lutero. Talvez isso se deva a proximidade da data e por estarem os dois escritos no período do “Lutero adulto” (ou seja, depois de 1519). Também é difícil analisar o desenvolvimento teológico de Lutero em um assunto que não é propriamente “teológico”.
Porém, essas obras são de suma importância para a cristandade e a história da educação. Percebemos nestes escritos o valor que Lutero dava à educação, principalmente como preparo da criança e do jovem para a vida.
Aos conselhos de todas as cidades da Alemanha para que criem e mantenham escolas cristãs (1524)
            Lutero pede que se criem e mantenham escolas cristãs e que os pais e as autoridades se preocupem com a educação das crianças e jovens. Ele denuncia o estado de abandono em que estava o sistema educacional da época como o primeiro motivo para que assim se faça. As pessoas estavam mais preocupadas com o sustento do que com o futuro de seus filhos. Lutero é duro ao dizer que as pessoas encaminhavam dinheiro “aos montes” para conventos e missas mas não estavam querendo gastar com a educação de seus filhos. O segundo motivo para é não receber a graça de Deus em vão nem deixar de aproveitar o tempo da oportunidade. O terceiro motivo é que Deus ordenou que os pais ensinem os filhos. Conforme Lutero não há pecado maior do que não educar as crianças: “negligenciar um estudante não é crime menor do que violentar uma virgem” (p. 308). Outra colocação importante de Lutero é que, para se ensinar e educar as crianças é preciso gente especializada, além do mais os pais não tem condições
e tempo para educar seus filhos sozinhos (p. 308). Lutero diz que o progresso depende da educação da população. As autoridades tem o dever de se preocuparem e agirem para que os jovens sejam educados. Lutero fala largamente em seu escrito sobre a importância das línguas para os jovens e o povo em geral. Principalmente para se preservar e propagar o Evangelho. Ele inclusive cita St. Agostinho que cometeu muitos erros de interpretação bíblica por não conhecer bem as línguas. Não há como interpretar corretamente a Bíblia sem conhecimento lingüístico. Lutero então conclui estimulando que as crianças estudem (320) e que se organizem bibliotecas com bons livros para pesquisa nas cidades (322).
Uma prédica de Martinho Lutero para que se mandem os filhos para a escola (1530)
            Nesse escrito Lutero escreve aos pais para que mandem seus filhos para a escola e enumera as vantagens de
fazê-lo e as desvantagens de não fazê-lo. 
Primeiro Lutero estimula a que se mandem os filhos para estudarem com fins ao ministério da Palavra. Então Lutero descreve tudo que esse filho pode fazer pelo reino de Deus, trabalho esse que seu pai estaria patrocinando se o enviasse aos estudos para o ministério.  Lutero coloca que, assim como o ministro tem a função de transformar pecadores em santos, assim as autoridades seculares tem a função de fazer de animais selvagens seres humanos e mantê-los como tais. Então Lutero estimula os pais que mandem seus filhos
para estudarem a fim de se tornarem pessoas úteis na sociedade como autoridades, juizes e outros. Lutero acrescenta que o poder secular é instituição divina e está a serviço da ordem e da vida. Então Lutero enumera o que um pai estaria patrocinando se enviasse seu filho para estudar e que este poderia ser uma pessoa muito importante e útil para a sociedade. Inclusive ele acrescenta que até a igreja pode patrocinar os estudos de pessoas pobres e estimula os ricos para que também patrocinem os estudos de pessoas sem condições financeiras.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *